Meu nome é kelen Graziele Jardim. Nasci no município de Catugi no estado de Minas Gerais. Sou filha de professores e advinha qual é a minha profissão? Óbvio não é mesmo! Por incrível que pareça não escolhi ser professora em função dos meus pais, mas sim por uma característica da minha personalidade. Falo demais e precisava de uma profissão onde pudesse falar e professor me pareceu o mais ideal.
No início de minha profissão achei que não ia dar conta de ajudar os alunos mediante tantas dificuldades que encontrei. Eram tantas carências e eu estava na fase do recém formado que tem a clara sensação que vai mudar o mundo com suas idéias revolucionárias ( idéia não tem acento mas o computador ainda não sabe disso e insiste em acentua-la). Não mudei o mundo ainda, mas não perdi a esperança de ver a educação melhorar.
Meu pai faleceu quando eu era bebê e minha mãe precisou sair para outra cidade em busca de trabalho. Ela só tinha 16 anos e com uma filha para criar acho que foi um pouco difícil para ela. Fui criada pela minha avó (mainha) e após algum tempo minha mãe veio me buscar para viver com ela, mas, não quis deixar minha avó sozinha, então com diz aqui em Minas Gerais sou filha de vó. Esse foi um grande presente para mim, pois minha avó me deu um amor inabalável e me encheu de cuidados. Minha mãe se casou novamente e tenho três irmãos. Gosto muito de todos eles e, mesmo não sendo criados juntos temos muita cumplicidade. Minha mãe sempre lutou muito para dar o melhor a seus filhos e não mediu esforços na busca de nossa formação.
Formei em Letras no ano de 2005 na cidade de Teófilo Otoni. Escolhi Letras porque sempre gostei do universo das palavras. A leitura era e é o meu momento de conhecer outros mundos de transportar ao desconhecido. Não é mágico o poder que aquelas folhinhas agrupadas têm? Acho que entre mim e os livros foi amor à primeira leitura. Encantei com a possibilidade de liberdade que a leitura nos propicia. Podemos ser quem quisermos através da leitura e não há censura nem julgamentos.
A primeira leitura que ouvi (não sabia ler ainda) foi reinações de Narizinho. Minha amiga e vizinha tinha esse livro e lia para a turminha que brincava na famosa escolinha. Ela pegava um pedaço de madeira (partes de um velho guarda-roupa) e nos levava para o quintal e começava a aulinha, e todos os dias lia ainda um pouco soletrando o livro que ela tinha pegado ( ilicitamente ) na biblioteca da escola. Eu adorava aquela leitura lembro de achar a boneca Emília uma verdadeira mágica quando tomou àquelas pílulas e de repente começou a falar. No quintal da nossa casa tinha um pé de ciriguela (um fruto muito conhecido em nossa região) quase fui para o hospital pegando as sementes dessa fruta e colocando muitas na boca para ser as pílulas da Emília ( acho que de certa maneira funcionou) .
Fui alfabetizada um pouco tarde com 08 anos. Minha avó precisou no ano anterior me retirar da escola para que eu pudesse fazer tratamento de saúde. Naquela época não era tão rígido a freqüência (o computador também não sabe que o trema foi abolido estou tentando convence-lo). Mesmo entrado tardiamente, a escola foi muito agradável para mim. Sempre gostei da alegria do recreio, das atividades desafiadoras e dos professores (adorados e odiados em alguns momentos). Gostei tanto que não consegui sair dela e agora, na posição de professora tento mostrar aos meus alunos que quem faz a escola são eles, pois temos condições de mudar nossa realidade quando estamos envolvidos em algum processo de transformação.
A minha vontade de ler foi crescendo a cada livro que conhecia. Na adolescência li as fantásticas aventuras da série vagalume. Depois vieram as famosas coleções Júlia e Sabrina. Eram livros em que os heróis geralmente homens lindos, atléticos e o mais incrível! Românticos, riquíssimos e estão completamente solitários (hoje sei que isso é totalmente irreal), mas de repente eis que surgem as mulheres lindas, nem tão ricas e dividas entre o amor e o trabalho. Agora falando sério adoro até hoje aquela célebre frase que todos os livros desse gênero têm “não sou digno de você querida, és tão melhor que eu!” ( situação da frase: o homem e a mulher tem um encontro depois de muitas idas e vindas provavelmente na metade da história e ele subitamente resolve que ela é superior a ele) é totalmente cômico!
Já após certa idade e no ensino médio começaram as leituras dos clássicos literários e algo novo aconteceu, comecei a odiar alguns personagens. Envolvia-me tanto nas histórias que desejava que alguns deles simplesmente sumissem do mapa. Vamos aos cruéis: Primo Basílio (é um livro ótimo) Basílio era um homem detestável eu queria que ele morresse, mas o danado teve um fim maravilhoso e o pobre do Jorge sofrendo por Luíza isso é injusto! O padre Amaro também não fica atrás ele usou e abusou da Amélia ( ela era tola é verdade) mas Amaro merecia um fim trágico e nada aconteceu. Acho que devíamos ( todos os leitores de Eça de Queirós) escrever um livro declarando morte a Amaro, Basílio e Ana Monforte( a Ana dos Maias lembram-se?)
Esses personagens vilões e que se deram bem sem ter nenhum castigo não é só na literatura portuguesa o que dizer em O Mulato do tio de Raimundo ele deveria ter no mínimo um castigo, e Rita baiana do Cortiço, sem falar de Bentinho e sua mente doentia. Acho que estava me tornando um daqueles personagens de filmes de terror que quer matar todo mundo! Essa fase está passando e começo a compreender que existe uma relação estreita entre o bem e o mal.
Acabei de ler uma obra inquietante chamada A Cidade do Sol. Não posso contar detalhes, pois muitos dos que lerem este texto também estão lendo ou vão lê-la e não existe nada pior que estragar uma leitura contando seu enredo. O que posso dizer foi à experiência que tive ao ler esta obra. As personagens Maryam e Laila me mostraram que somos muito mais fortes do que aparentamos. Não sei dizer como àquelas mulheres encontraram cada uma a sua maneira, a felicidade, mas sei que o autor nos põe numa situação de inquietude que só senti quando li Encontro Marcado de Fernando Sabino. A Cidade do Sol é uma obra para ser lida com voracidade e muito fôlego, pois saber o desfecho daquelas vidas se torna imprescindível para os leitores. Toda obra nos ensina algo e esta me ensinou que se parássemos de olhar só nossos problemas conseguiríamos ver que existem pessoas que sofrem muito mais que nós e mesmo assim não perdem a esperança de viver!
Estou me aventurando em um novo desafio que é ser formadora do curso de capacitação chamado Gestar. É uma experiência única e quero muito que a possibilidade de fazer a diferença no ensino de língua portuguesa dê certo. Meus colegas de profissão e cursistas da capacitação se mostraram muito receptivos a novas abordagens e juntos iremos construir uma aprendizagem que seja significativa para nossos alunos.
Drummond já dizia que não devemos ficar presos ao passado e nem viver pensando no futuro e sim viver o presente, então minhas recordações ficam na caixinha da memória junto com meus sonhos futuros para que assim me concentre no presente e não ser como o personagem da música Epitáfio dos Titãs “ queria ter vivido mais....”
Sei que nossas aventuras se tornam maiores quando escrevemos e nos sentimos nas cruzadas lutando contra o imbatível tempo mas se aprendi algo com o pouco tempo que tenho de existência ( é pouco comparado a quanto ainda quero viver) é que com o tempo nos tornamos pessoas melhores, então que venham os novos tempos!
sexta-feira, 15 de maio de 2009
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Professora Kelen,
ResponderExcluirExite uma petição virtual pedindo melhores condições de ensino para a rede pública. Para assiná-la acesse:
http://www.thepetitionsite.com/1/brazilpubliceducation
Incentive também seus alunos a participarem deste movimento, mostrando-lhes o enorme potencial desta ferramenta - a internet.
Desde já agradeço a atenção e desculpe-me pelo incômodo.
Diogo Siqueira
Isto não é um spam. Veja o meu blog http://ocaipira.wordpress.com