quarta-feira, 19 de agosto de 2009

INTERVALO

na próxima semana estarei em Coronel Fabriciano na segunda jornada do GestarII então não teremos textos sobre oficinas. Para não deixá-los órfãos deixo as palavras daquele que abriu meus olhos para o maravilhoso mundo da poesia o mago Pablo Neruda que me enfeitiçou com a beleza de suas palavras. fiquem com Pablo não vejo melhor companhia para essas noites frias de Agosto.
E foi nessa idade... chegou a poesia para me buscar. não sei, não sei de onde saiu, de inverno ou rio.
não sei como nem quando, não não eram vozes, não erampalavras, nem silêncio,
porém desde uma rua me chamava,
desde os ramos da noite,
de repente entre os outros,
entre fogos violentos
ou regressando sozinhos,
ali estava sozinho,
ali estava sem rosto
e me tocava.
eu não sabia o que dizer, minha boca não sabia
nomear,
meus olhos não eram cegos,
e algo golpeava em minha alma,
febre ou asas perdidas,
e me fui fazendo só,
decifrando
aquela queimadura,
e escrevi a primeira linha vaga,
vaga,sem corpo,pura
tontice, pura sabedoria
de quem não sabe nada,
e vi de repente
o céu degranado e aberto,
planetas
plantações palpitantes,
a sombra perfurada,
crivada
de flechas, fogo e flores,
a noite esmagadora, o universo.
e eu, mínimo ser,
ébrio do grande vazio
constelado,
à semelhança, á imagem
do mistério,
me senti parte pura
do abismo,
rolei com as estrelas,
meu coração se desatou no vento.
Pablo Neruda

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